Ela é de Serpentário

tumblr_static_m“Lídia Caroline nasceu em 30 de dezembro de 1988. No ano da graça de 2016, Lídia Caroline irá fazer 28 anos. Ou seja, como ela mesma gosta de lembrar, “quase quase 30”.

Lídia sempre foi ligada nos signos. Não que ela acreditasse nisso. É que o signo se tornou uma desculpa pra todas as burradas (e acertos) de Lídia na vida. “Sou assim porque sou de Sagitário”, ela dizia.

Dizia.

Até que um belo dia Lídia descobriu o 13º signo, Serpentário. Descobriu que nasceu no 2º dia do signo novo, e como sempre amou uma novidade… Foi atrás de saber sobre sua nova desculpinha pra não sair na sexta com as amigas que diziam que uma sagitariana deveria ser mais alegre e mais baladeira do que ela.

Lídia se identificou imediatamente com as características dos “serpentárianos”. Lídia ficou encantada. Passou a se referir a si mesma como “a nova Lídia Caroline de Serpentário”. Há quem diga que ela endoidou de vez – nunca foi considerada muito normal, nem quis – mas Lídia não ligou. A nova Lídia é de serpentário. E como uma boa serpente, seguiu seu caminho sem ligar muito pra opiniões alheias. Lídia agora era de serpentário. Sempre foi. Como ela não tinha descoberto isso antes? Era tudo de bom ser de serpentário!

Mas vamos com calma. Vamos contar a vida de Lídia antes e depois da descoberta de seu lado serpente…

Lídia cresceu como uma criança quase normal. Seu pai era cardiologista, sua mãe era dona de casa. Era a mais nova de 3 irmãos – Lucas Carlos, Luciana Cristina e Lídia Caroline. Todos no LC. Em homenagem ao pai da Lídia, Luiz Carlos. Lídia cresceu quase normal em uma casa quase normal. Desde pequena Lídia amava ler e odiava estudar. Suas notas eram no máximo na média. Seus amigos eram sempre os “diferentes” da turma.  Para desespero de sua mãe, que sempre enxergou na filha uma louca desvairada andando em más companhias.

 – Por que você não é como seus irmãos, Lídia? Se espelhe nos mais velhos! Sempre andando com esses malucos, com essas notas! Como vai ser a Dra. Lídia assim? – Era o discurso quase diário de Mamãe, para uma Lídia desatenta que olhava com cuidado um livro antigo com pinturas de Picasso do pai. Ela amava Picasso.

Os irmãos de Lídia seguiram a carreira do pai. Lucas se formou neurologista e Luciana, em otorrinolaringologia. A melhor da turma! Orgulho da casa! E a Lídia?

Lídia Caroline Costa se formou (à contragosto) em Psicologia. Queria se formar em algo criativo – dança, música, teatro, arte… Claro que os pais (leia-se Mamãe) de Lídia foram contra essa loucura.

 – E você vai ganhar dinheiro como Lídia? Com a cara? Você não dança nem canta, fora que não toca nem caixa de fósforo! Não pinta nem parede!

 – Eu posso atuar então, Mamãe. Eu sou uma boa atriz, segundo o…

  -Segundo quem? Um daqueles malucos do seu cursinho de teatro? ATRIZ? No Brasil, Lídia? Você enlouqueceu de vez? Faça psicologia! Já que com essas notas, em medicina você não passa mesmo, não é?

 – Mas eu não quero ser médica, Mamãe.

 – E quem disse que psicólogo é médico Lídia? Médico é seu pai, médico são seus irmãos, que fizeram medicina. Psicologia é pra quem não tem culhões de ser médico. E pra gente doida, como você!

E depois dessa conversa, Lídia resolveu que não ia lutar contra a vontade da mãe. Apelar para o pai? Se ela conseguisse ficar acordada até ele chegar de seus plantões e “plantões”… Resolveu que ia fazer psicologia sem discutir. Depois de formada, foi trabalhar na clínica de um amigo do pai. Nessa altura, seus pais já haviam se divorciado. Foi Lídia que mostrou a mãe a foto de seu pai com uma das enfermeiras plantonistas. Eles tinham um caso há mais de 10 anos. Claro que Mamãe jamais perdoou Lídia por ter a prova daquilo que ela sempre desconfiou. E claro que Mamãe só fez análise porque Lídia conversou com uma professora que tinha um consultório. E claro que essas são águas passadas, não é Lídia?

O consultório de Lídia era tão misterioso quanto ela. Austero,  misterioso, pouco iluminado, sempre numa penumbra, mas com grande janela que dava para uma pracinha cheia de criancinhas brincando e velhinhas alegres caminhando devagar. Era enfeitado com belas obras de arte – de artistas completamente desconhecidos que ela conhecia em vernissages e exposições de seus amigos “alternativos demais” como dizia Mamãe – e esculturas de um ex-namorado que foi morar na Alemanha, porque Lídia era “um mito, uma medusa, um mistério insondável demais” ou porque ele tinha se apaixonado por Mariele, uma alemã que ele conheceu em outra vernissage dos amigos alternativos da própria Lídia. Casou-se com ela e hoje vivem na Holanda, criando lindas esculturas e fumando maconha em um apartamento em cima de uma loja de requinte. Eles tem 2 filhos. A menina se chama Lídia.

Lídia tinha alguns clientes “padrão”, como ela dizia. Tinha seu Aguiar, depressivo. Tinha dona Marlene, com TOC por limpeza. Tinha Isadora, síndrome do pânico. Tinha Manuela, com mania de perseguição. Tinha Bernardo/Augusto, transtorno bipolar. Ela sabia quem estava na sala pelas roupas. Bernardo era sóbrio e Augusto só não vinha completamente nu para as consultas porque ela já tinha advertido.

E tinha Nicolas.”

Essa é uma série de contos. Nicolas vai ficar pra outro dia.

Espero que vocês amem Lídia como eu amei escrever sobre ela. Sei que demorei pra voltar a escrever, mas essa vida de adulto, crianças… É complicada por demais.

Abba, continua me protegendo do mal que eu mesma me faço.

Maria Clara

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Publicado por

Maria Clara :)

Do latim - Mulher brilhante e senhora de si. Eu sou uma pessoinha filiz - Painho e Mainha me fizeram lesa e eu aprendi que, o leso de hoje é o gênio incompreendido de amanhã... So... Wait for me :)

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